Reserva de Justiça

Um olhar realista sobre o Processo Penal

Posts de Julho 30th, 2008

As Algemas do Cacciola e a Guerra no Rio

Publicado por André Lenart em Julho 30, 2008

Morreu hoje à tarde a corretora de seguros Adriane Uszko, 40, baleada no rosto na noite de segunda-feira, num acesso ao Elevado da Perimetral, quase em frente à Superintendência da Polícia Federal. O projétil atingiu a cabeça de Adriane, causando lesões no globo ocular direito, no crânio e na face. O “arrastão” já havia vitimado o sargento PM Luís Fernando Marques da Silva, que bravamente trocara tiros com os bandidos. Outras três pessoas escaparam por um triz da morte, com alguns ferimentos. Um dos marginais foi baleado, mas sobreviveu. Não se preocupem: com HC, progressão de regime e livramento condicional, logo estará são e salvo de volta às ruas.

Esse pedaço da Zona Portuária está se tornando uma zona maldita. Na tarde de 12 de junho, o desportista e advogado Amilar Vieira Filho, 83, foi assassinado com um disparo no peito por três bandidos que promoviam um arrastão. Em janeiro, 33 ingleses foram assaltados na descida para o Aterro do Flamengo, uma hora após desembarcarem no rio (devem ter levado consigo boas recordações da “Cidade Maravilhosa”). Em novembro de 2007, o ator Francisco Cuoco foi feito refém em seu veículo por três homens que o ameaçaram de morte, mas acabaram soltando-o 20 minutos depois, perto da Barreira do Vasco no bairro de São Cristóvão.  Em setembro de 2007, o Xsara Picasso da esposa do deputado estadual Edmilson Valentim foi interceptado por quatro homens armados e encapuzados, às 15h30min, em plena luz do dia.

O despudor dos marginais é total. Não se intimidam mais com nada. Atacam com o sol a pino; atacam na frente da sede da Polícia Federal. Cospem na cara dos cidadãos. Fuzilam policiais. Matam mulheres e crianças a sangue frio. Como cães danados, aterrorizam tudo e a todos. No filme The Dark Knight, em cartaz, a personagem de Heath Ledger, refletindo sobre sua essência, anuncia-se como um “agente do caos”. A impressão que tenho é que o Rio virou uma imensa Gotan City, sem Batman e com muitos Coringas.

Enquanto isso, um grupo de advogados e intelectuais dos direitos humanos discute com ardor e protesta com ânimo redobrado contra as algemas que possam vir a ser usadas em Salvatore Alberto Cacciola .

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